MORTE NO FUNDO DO MAR

 

© Divulgação/OceanGate


O assunto dominante nas mídias em todo o mundo, esta semana, foi o desaparecimento do minisubmarino no Atlântico Norte, a algumas centenas de quilômetros distante da região costeira canadense. A viagem da embarcação começou domingo passado, 18, e tinha como objetivo levar seus cinco ocupantes a mais de três quilômetros de profundidade, no local onde dizem que se encontram os destroços do velho Titanic. Menos de duas horas, levaria o submersível para mergulhar, desde a superfície até às profundezas do oceano. Entretanto, nesse período, os ocupantes perderam a comunicação com a plataforma de apoio na superfície, passando a se tornar um mistério o sumiço da embarcação.

Em que pese todo o aparato montado nas buscas, envolvendo o esforço unificado de equipes de profissionais de pelo menos três países, nesta altura do campeonato as chances de sucesso já se tornaram praticamente nulas. A reserva de oxigênio para os ocupantes tinha horas contadas; mesmo assim, os socorristas seguiram as buscas.

A excursão do submarino Titan até o fundo do mar faz parte de um negócio que envolve muito dinheiro: o chamado turismo aquático. Por isso, entre os cinco excêntricos turistas embarcados no Titan, destacam-se um bilionário inglês e dois paquistaneses, pai e filho, também magnatas. Cada um deles pagou pela aventura o equivalente a mais de um milhão de reais, uma merreca para quem é bilionário em dólares. O preço alto da aventura, sem dúvida, custou-lhes a própria vida.

São tipos de aventuras estapafúrdias que a cada dia se tornam mais corriqueiras entre os arquimilionários, que sem mais novidades na face da terra, buscam alguma forma bizarra de brincar com a fortuna – e também com a vida. No caso em questão, os cinco turistas do Titan optaram por descer às profundezas do pélago, para, de relance, avistar os cacos de um navio sepultado há mais de século no fundo do oceano. Um lugar onde o mar nunca está pra peixe, com temperaturas congelantes e onde as pressões das águas são de toneladas. Um lugar onde também as comunicações eletromagnéticas são bloqueadas.

Por outro lado, nesse tipo de aventuras, inclui-se o maluco bilionário norte-americano Jeff Bezos, que em julho de 2021, puxou do bolso uma fortuna para, a bordo de uma nave construída por sua própria empresa, dar um salto de dez minutos muito acima da atmosfera terrestre e, lá nas alturas, apreciar a ausência de gravidade (grande coisa!...), voltando a pisar na terra são e salvo.

Contudo, no caso dos turistas aquáticos bilionários, que em vez de subir preferiram descer às profundezas do mar, a derrocada fatal da expedição em nada compensou a curiosidade para ver o finado Titanic, secularmente quieto em seu lugar, como um velho cemitério no abandono. Tanto dinheiro na burra desse povo, tanta natureza bela para ser vista na face da terra, e esses excêntricos bilionários torrando milhões de dólares em aventuras, no mínimo, insensatas, como descer a mais de três mil metros de profundidade no oceano, para avistar por momentos o fantasma do Titanic – que, a meu ver, deve ser, comprovadamente, uma “atração turística” do mais péssimo gosto.

Pedro Paulo Paulino

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