OS NOVOS JORNAIS: NEM PAPEL NEM TINTA

 

© Biblioteca Nacional/ - Há 215 anos, era lançada A Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal impresso do Brasil.

Não faz muito tempo que circulou, em Fortaleza, a última edição impressa de um dos jornais de maior porte da imprensa cearense. No galope dos novos tempos, o informativo viu chegar a hora de abandonar as velhas rotativas e o invento de Guttemberg, para se tornar um veículo informativo exclusivamente digital. A tendência para abandonar a tinta e o papel, aos poucos, é sintomática em diversos outros veículos de comunicação da imprensa escrita.

Nesse processo célere de adaptação à comunicação virtual, e ao migrar definitivamente para as plataformas digitais, os jornais eletrônicos acenam claramente para um futuro – no qual já estamos mergulhados – em que os jornais impressos vão acabar virando páginas de puro saudosismo. A mudança para o mundo moderno de comunicação instantânea acaba de dispensar, por sua vez, um personagem que havia tempo já estava quase totalmente extinto: o jornaleiro. Outros personagens da velha guarda do jornalismo impresso, como o profissional gráfico, vão também saindo de cena. Sentar confortavelmente na poltrona ou na cadeira de balançar e folhear a edição dominical do seu jornal preferido, sentindo o cheiro da tinta e do papel, também está virando passado. Colecionar recortes de jornal, sobre um assunto de nosso interesse, é outro costume que o tempo vai botando para debaixo de seu vasto tapete. A propósito, consegui ao longo do tempo formar minha modesta hemeroteca, com recortes de diversos jornais, incluindo edições completas de retrospectivas do ano e edições históricas de fatos marcantes.

Nesse processo de transformação, já se foi também o tempo de encontrar aquele amigo na rua, portando invariavelmente o jornal debaixo do braço. O jornal impresso teve sempre um conteúdo universalizado, com leitores para todos os gostos. Tenho um amigo, por exemplo, que só lia a seção de esporte, sentado na mesa do bar, debatendo futebol com os colegas. Mas, além disso, havia o leitor exclusivo da seção de política, outro que ia direto para a coluna social, o leitor da página de polícia, do horóscopo, da crônica, e, por fim, o leitor eclético, que devorava o jornal da primeira à última página. Sem falar no leitor típico dos suplementos de domingo, dentre os quais me incluo. Bons e velhos tempos.

Estamos assistindo, portanto, e paulatinamente, ao ocaso dos jornais impressos. Revistas e outras publicações devem ter o mesmo destino, que esperamos, demore mais a comprometer a impressão de livros.

Em conclusão, já podemos afirmar que estamos mergulhados de vez num outro mundo, o mundo da supremacia digital. E tudo, nesse mundo, está na palma da nossa mão através dos aparelhos celulares. Há 215 anos, era lançada A Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal impresso do Brasil. De lá para cá, surgiram grandes jornais em todo o país, e muitos sobrevivem até hoje, alguns já centenários ou quase, a exemplo do octogenário jornal O Povo, de Fortaleza, afora mais alguns que bravamente estão resistindo ao ingresso no mundo exclusivamente digital. De tal forma, que a sobrevivência desses antigos jornais impressos é prova insofismável de persistência e resistência perante o admirável mundo novo da informática, tão implacável com o mundo dos adeptos da celulose.

Pedro Paulo Paulino



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