CRÔNICA TRISTE PARA UMA CRIANÇA MORTA

 

© Kolett/Ilustração

A cidade de Canindé ficou chocada, na noite de sexta-feira que passou, com a morte de uma criança de apenas um ano e dois meses, atropelada e esmagada pelas rodas de um carro, na rua em frente à casa em que morava. A pequena foi vítima da fatalidade e da violência a que muitas crianças e adolescentes estão sujeitos diariamente em todo o Brasil. Os números são assustadores, dando conta de que num intervalo de apenas cinco anos, registraram-se mais de 34 mil mortes violentas intencionais contra pessoas de até 19 anos.

Não entremos, contudo, no mérito policial e judicial do fato. Lamentemos, em vez disso, e profundamente, a interrupção de uma vida em seu pleno alvorecer, que logrou alcançar apenas um ano e dois meses de existência. Uma vidinha em seu começo, ceifada pela estupidez dos adultos. Que sonhos, que alegrias, que futuro a aguardava, não se sabe. Sua caminhada teve fim precocemente, naquela sexta-feira fatídica, quando ela, embalada pela mais pura inocência, saiu na rua ao encontro da morte com sua face mais brutal.

O fato triste tomou conta das conhecidas redes sociais da internet. Pais da criança, familiares e moradores do bairro, cheios de consternação, manifestaram seu lamento. Pois tão dolorosa e cruel quanto a tragédia é também a impunidade. Uma criança morta, uma família em prantos, a vizinhança em peso compartilhando a dor, uma cidade comovida...

Se estás me ouvindo, pequena Eloá, onde estiveres em tua forma mais pura de anjo, conforma-te com a impunidade que não chegaste a conhecer; e, em todo caso, sintas-te recompensada em não ter tido tempo de tomar consciência da maldade e selvageria dos adultos.

Pedro Paulo Paulino

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