MEU PRIMEIRO DIA DAS MÃES... SEM ELA

 

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Esse domingo, oito de maio, é um domingo especial para muitas pessoas. Comemora-se nessa data o Dia das Mães. Há, porém, nesse dia, sentimentos diferentes entre dois segmentos distintos: o dos que têm sua mamãe e o dos que a perderam. Até o começo deste ano, eu, por exemplo, me incluía na primeira categoria; agora, perfilo-me, amargamente, entre os do segundo segmento. Pois de repente, a morte, em sua sinistra e incansável peregrinação pela terra, bateu à nossa porta e levou a mulher que me deu a vida. E levou-a para sempre.

Não há, portanto, em mim, comemoração alguma. Em vez disso, há lamento e dor. Vez por outra, uma pontinha de júbilo alivia o peso dessa perda. Júbilo provocado pelas lembranças nítidas que guardo de minha mãe e que saltam espontaneamente do cofre da minha memória, como um lenitivo passageiro. E se manifestam a tal ponto, que me parece sentir ainda a presença viva de minha mãe em nossa casa e em minha existência, desde o dia em que do ventre dela desembarquei neste mundo.

Foram longos e felizes dias de convivência. Minha infância, adolescência, maturidade, etapas da minha vida estritamente ungidas ao convívio rotineiro com minha mãe, em um liame tão forte, como se jamais houvessem cortado meu cordão umbilical. Jamais esquecerei que, tudo quanto era feito pelas mãos de minha mãe, tinha um sabor e um toque insuperáveis. Sabores e cheiros que ficaram em meu paladar e em meu olfato. Imagens e gestos de sua meiga simplicidade gravadas para sempre em minha retina e em minh’alma. Sons de sua voz doce ecoando em meus tímpanos. Impressões fundas, marcantes, que se reavivam diante do espelho das recordações que dela em mim ficaram.

Minha mãe, mulher sertaneja, foi a pessoa mais ativa que eu conheço. Do amanhecer ao anoitecer, via-se ela, no seu labor de todos os dias. Diligente em tudo, estava sempre a postos, diante do fogão, da lavanderia, da faxina da casa, do cuidar das galinhas e de tudo e de todos nós.

Ao fazer seus 75 anos de vida, não dava mostras de cansaço nem de queixas. A enfermidade, entretanto, chegou e abateu-a, consumiu-lhe as forças, e levou-a. Vi-a agonizando, na sua despedida para sempre, numa tarde de sábado tão calma, como calma foi minha mãe. Contive-me, sem, no entanto, me conformar, mas ciente de que nascemos para morrer. Sobreveio, duramente, no meu coração e na nossa moradia, um vazio impreenchível. A dor da perda e da saudade, até parecem, continuam chegando numa escala progressiva.

No aconchego de seu ventre, minha mãe, vivi os nove meses mais tranquilos de minha vida, isolado do mundo exterior e alimentando-me do seu imenso amor materno, amor que depois me acompanhou e acompanhará sempre, mesmo nessa sua eterna ausência. Nesse dia, dedicado às mães, seu silêncio, minha mãe, é minha prece. E quero que receba, ó minha mãe, através do correio do coração, a minha bênção e a minha saudação, carregadas da sua profunda falta e da minha irremediável saudade.

Pedro Paulo Paulino


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